Em janeiro passado,
por duas vezes e seguidamente, este blog sustentou que o ex-presidente
Lula comandava uma fulminação midiática contra Dilma neste e neste artigos.
A fulminação agora tem uma nova classe de luzes, conhecidas como trevas.
Quando Chávez agonizava em praça pública, e o Mensalão queimava o PT,
o vulgo notava que Fidel e Chávez eram os mortos a se fazerem de vivos —
e Lula o vivo a se fazer de morto.
Lula voltou a se fazer de morto. Mas, como diria Shakespeare, em Hamlet, há método nessa loucura. Vejamos.
As pernadas de anão que os blogueiros sustentados por autarquias
deram em Dilma, nos últimos dois meses, tinham justamente esse objetivo:
deixá-la sozinha. Se a passeata do dia 13 de março, (tocada a RS$ 35
reais de salário diário ao chamado “campo social militante”) tivesse
tido alguma representatividade prática, ou “peso de convergência”, Lula
teria saído em socorro de Dilma. Quem me conta são assessores ligados ao
PT.
Como o dia 13 foi absolutamente “lorem ipsum, ipsum lorem”, ou terra
de ninguém ( a que a polícia de Nova York chamaria the FOT, 'flying over
territory'), Lula se apeou ao nada infinito.
Continuará sumido. Seus assessores ainda não sabem se ele volta ou
com a roupagem de que salva Dilma por ela mesma: ou salva Dilma pelo
Lula Lá 2018.
Mas não são apenas os assessores de Lula que recomendam ao silêncio e
ao sumiço. Todos os assessores de gente do poder ora recomendam ao
silêncio e ao sumiço. Eu vou te contar o que um desses assessores
relatou ao blog:
“Olha, eu só vi assessores recomendarem aos políticos um
silêncio tamanho em 2009. Fora o lance do mensalão, o Congresso passava
por uma fase dos diabos. A gráfica do Senado foi flagrada imprimindo
livros que reuniam elogios recebidos pelos políticos. O limite de cinco
passagens aéreas mensal para cada membro do Congresso foi exposto como
fraudado diariamente. Notas fiscais de uso de gasolina, a RS$ 4 mil por
dia, por assessores parlamentares, vieram a público. Renan Calheiros
teve denunciada uma funcionária-fantasma que trabakhava para ele havia
seis anos… o senador Tião Viana (PT-AC) desculpava-se, no
jornal “O Estado de S. Paulo”, pela conta de R$ 14 mil, proveniente do
uso de seu celular, emprestado à filha numa viagem de férias ao México. o
engtão senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sugeriu naqueles dias
plebiscito pelo fechamento do Congresso…
A reação de todos os assessores foi clara: silêncio total. Foi
assim que, naquele primeiro de maio de 2009, fez-se o maior silêncio da
história do Dia do Trabalho. Na Praça Campos de Bagatelle, na zona norte
de São Paulo, o então presidente Lula foi orientado a faltar na festa. E
faltou. O mesmo se deu com figurinhas hoje também silentes: O
presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), o petista
Antonio Palocci, cotado para concorrer ao governo do Estado em 2010, e a
ex-prefeita Marta Suplicy (PT), articuladora da candidatura de Dilma em
São Paulo, confirmaram presença, mas faltaram. A então ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, então possível candidata do PT à
Presidência em 2010, enviou aos diretores da Força Sindical um discurso
por escrito. A leitura foi recebida sem empolgação pela plateia, que
sequer aplaudiu as palavras de Dilma”.
Diz a fonte do blog: nunca antes na história desse país você terá
visto tanta síndrome de 'a língua o gato comeu'. Com todo mundo
agachadinho, sobra Dilma, o poste do planalto (apud Lula), na mira dos brazilian snipers.
Como diria o finado senador
Antônio Carlos Magalhães: Dilma está vivendo a solidão do poder. Talvez
vivida apenas, em igual grau, por Getúlio Vargas: que um dia ficou de
saco cheio, resolveu botar um pijama de alamares e foi dormir mais cedo…
Por Claudio Julio Tognolli


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