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terça-feira, 27 de maio de 2014

5 ANOS DO CASO ALGODÕES: 'Governo sabia e nada fez'

Neste dia 27 de maio completa-se exatamente cinco anos do rompimento da barragem de Algodões. Naquela oportunidade, o incidente provocou a morte de nove pessoas, dois mil desabrigados e oitenta feridos, de acordo com informações de órgãos do governo do estado.
Tanto tempo depois, a 9ª Vara Criminal de Teresina, por meio do promotor Assuero Stenvenson, decidiu encaminhar denúncia contra os gestores da época, o então governador e hoje senador Wellington Dias (PT), a presidente da Emgerpi (Empresa de Gestão de Recursos do Piauí), Lucile Moura, o engenheiro Norberlino Lira de Carvalho, que era presidente do Idepi (Instituto de Desenvolvimento do Piauí), dentre outros.
Tudo porque numa ação contra um jornalista piauiense, Norbelino confessou, no entender do promotor, que todos no governo sabiam que a barragem romperia devido ao grande volume de chuvas e mesmo assim nada fizeram para preservar a segurança e a própria vida dos moradores. Todos já tinham se transferido para escolas públicas no centro de Cocal. Mas numa reunião com membros da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Prefeitura, Câmara Municipal, e outros, a presidente da Emgerpi, baseada num relatório do engenheiro especialista Ernani Uchôa, determou que as famílias voltassem para suas casas. Não havia nenhum perigo.

Só que era o contrário. Horas depois, a barragem estourou. O turbilhão de águas levou consigo casas, animais, árvores, carros, pessoas e vidas. Stevenson garante que se tratou de dolo eventual. Ele explica: "O dolo eventual acontece da seguinte maneira. Imagine que determinado indivíduo queira matar um desafeto. Ele pega um revólver e dispara aleatoriamente atingido uma outra pessoa que não tinha nada a ver com a briga dele. Ele queria provocar a morte daquela pessoa? Provavelmente não. Mas provocou porque se armou e disparou mesmo aleatoriamente. Deve ser responsabilizado por tal."
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População perplexa com a tragédia observam tamanho da destruição
PROMOTOR FAZ DESABAFO
O promotor de Justiça disse ainda que o rompimento de uma barragem não é o rompimento de uma piscina. Por isso os responsáveis por tão hediondo crime devem ser devidamente punidos. O caso foi encaminhado para a Comarca de Cocal. Foi uma verdadeira barbárie, na opinião do promotor, que acrescenta: "O povo estava desprotegido. Precisava de alguém para conduzi-lo a bom caminho, a bom termo. No entanto encontrou uma situação totalmente contrária. Pessoas que investidas de funções públicas relevantes contribuíram para que viessem a falecer." Stevenson disse ainda que "temos que ficar ao lado dos menos favorecidos, dos desprotegidos."
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Promotor cobra punição a responsáveis pelo rompimento da barragem
BISPO DIZ QUE MORRERAM FOI 15
O bispo de Parnaíba, dom Alfredo Schaffler, disse que não foram apenas nove as vítimas. Morreram, segundo seu entendimento, quinze pessoas. "Isso aconteceu porque com o estouro das águas muitas pessoas ficaram isoladas, sem poder passar de um lado para outro. Algumas destas pessoas sofreram infartos, por exemplo, e não puderam ser socorridas. Então, de um jeito ou de outro, o lamentável desenlace foi produzido pelo rompimento da barragem." Ele ainda lamenta o descaso do poder público em relação ao sofrimento das vítimas e evidencia o trabalho do professor aposentado Corsino Medeiros, da Universidade Federal de Brasília, que era morador da região, perdeu todos os seus bens conquistados ao longo de uma vida de trabalho e sacrifício e presidente a Associação de Vítimas da Barragem de Algodões.
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Bispo questionou o valor da indenização; foi polêmico na época
'AJUDA' FINANCEIRA NÃO SIGNIFICA É NADA
Dom Alfredo comentou: "O governo acha que uma pequena ajuda financeira resolve todo o problema. Foi dado apenas R$ 500 para garantir o restabelecimento e mais R$ 4,5 mil para comprar utensílio domésticos e móveis. Isso é insuficiente em qualquer parte do mundo." O governo também construiu casas. Mas foram feitas em lugares distantes. A população ficou completamente deslocada do seu habitat e consequentemente do seu modo de vida e produção. "Como sobreviver diante desta nova realidade e deslocamento geográfico?"
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Local foi totalmente devastado com a força da água
W.DIAS E LUCILE: PRINCIPAIS DENUNCIADOS NO CASO
Wellington Dias e Lucile Moura já são investigados por crimes contra a vida pro meio do processo nº 3363 do Supremo Tribunal Federal. A ação em trâmite tem 529 páginas. Procede da Procuradoria de Justiça do Piauí. Lucile Moura se defende: "Eu não posso ser responsabilizada. Estava apenas seguindo orientações técnicas da equipe responsável. O que aconteceu é lastimável. Mas o caso está na Justiça. Vamos aguardar."
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W.Dias e Lucile Moura foram denunciados pela tragédia ocorrida
ELA CHEGOU A DESCONFIAR ATÉ DE POPULARES
Na época, ao jornal "Folha de S.Paulo", ela disse que estava seguindo ordens superiores. Acima dela, havia apenas o governo do estado. Moura fala ainda: "Tem muita gente esperta querendo se passar por vítima do acidente para tentar tirar vantagem indevida do poder público. Mas existe uma relação de todos que foram verdadeiramente vitimados. Tenho certeza de que a Secretaria de Assistência Social não vai permitir a presença de intrusos nesta relação."
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Folha Online também destaca a tragédia no estado do Piauí
JULGAMENTO PROMETE ENTRAR PARA A HISTÓRIA
O Tribunal de Justiça do Piauí julga nesta terça-feira, exatamente cinco anos após a tragédia, o pedido de indenização no valor de R$ 250 milhões por danos morais e materiais para as vítimas. 800 famílias dos municípios de Cocal e Buriti dos Lopes tiveram a promessa de que tudo voltaria ao norte e que seriam devidamente indenizadas. A 2ª Câmara Especializada Cível julgará o pedido de indenização por dano material e moral para as famílias vítimas do acidente. O relator do processo é o desembargador Brandão de Carvalho. O presidente da Associação das Vítimas da Barragem de Algodões, Corsino Medeiros dos Santos, disse que o Ministério Público Estadual, em Cocal, calculou um valor de R$ 250 milhões para ser pago pelo Governo as famílias.

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